KBELA: O filme estreia em Salvador na programação Verão no Solar 40°

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Foto: Camila de Alexandre Arte do cartaz: Ana Almeida

Equipe formada em sua maioria por mulheres negras usou a internet para convocar elenco e recolher fundos que viabilizaram a gravação do curta metragem sobre experiência de assumir cabelos crespos.

KBELA é um curta metragem experimental realizado de forma colaborativa por mulheres negras sobre mulheres negras. Seja através do cinema ou através dos cabelos, essas mulheres têm em comum a busca por novas possibilidades para narrar suas histórias em diferentes campos onde machismo e racismo são obstáculos a serem superados. A estreia acontece nesta sexta-feira (08), às 19h30. Os ingressos custarão R$4 e R$2 (meia), com classificação livre.

O filme é um olhar sensível sobre a experiência do racismo vivido cotidianamente por mulheres negras. A descoberta de uma força ancestral que emerge de seus cabelos crespos transcendendo o embranquecimento. Um exercício subjetivo de autorepresentação e empoderamento. 

Yasmin Thayná assina roteiro e direção do filme, uma adaptação livre de seu conto Mc Kbela, publicado na coletânea Flupp Pensa 43 novos autores (Réptil/ Aeroplano, 2012). Construída a partir de memórias afetivas, a história narra a relação da autora com seu cabelo, desde as dolorosas sessões de alisamento químico com sua avó, até o reconhecimento de sua ancestralidade nas raízes do cabelo natural, passando por situações limite de opressão e pelo reconhecimento de importantes círculos de  colhimento.

Em 2013, o mesmo conto foi transposto para o teatro em uma cena curta criada especialmente para o primeiro Home Theatre Festival Internacional de Cenas em Casa .

O projeto KBELA é um catalisador de memórias, histórias, forças, ancestralidades e lutas que se expressa através de imagens. Durante os dois dias gravações, uma equipe de mais de 50 pessoas de diferentes regiões do Brasil (e uma atriz de Portugal) esteve mobilizada, metade do time é formado por mulheres negras incluindo Maria Clara Araújo,
18, mulher trans negra de Recife, que acaba de entrar para o curso de pedagogia na UFPE.

Dados da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) apontam que nos últimos dez anos, mulheres negras representaram apenas 4,4% do elenco dos principais filmes de longa metragem nacionais. A pesquisa também revela que, no mesmo período, as mulheres ocuparam apenas 14% dos cargos de direção e 26% assinaram roteiros, nenhuma delas era negra. Por tanto, no contexto brasileiro, KBELA é um projeto político feminista e antirracista no campo das artes pela construção e afirmação de espaços de autor representação das mulheres negras.

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